Turismo

Conheça um outro lado de Serra Pelada, o turismo de aventura

Do garimpo ao lazer, conheça um pouco do lugar que um dia foi definido como um “formigueiro humano” e tem potencial para se tornar um importante polo turístico na região.

O mundo aos poucos está saindo da pandemia, e por isso, depois de meses de confinamento, todos estão ávidos para sair de casa, passear ao ar livre e conhecer pessoas e lugares diferentes. Os privilegiados financeiramente, podem se dar ao luxo de escolher o seu destino sem se preocupar o quanto terão que gastar numa viagem de descanso. Para os que tem menos recursos, existem por aqui boas opções de lazer e aventura, e isso sem precisar comprometer a renda familiar.

Nós aqui do site www.edopebas.com.br, a partir desta semana, vamos mostrar excelentes opções de lazer para o turista aqui na região, e começaremos mostrando um dos lugares mais interessantes para se conhecer, seja pela história ou pela beleza natural.

A História – Serra Pelada foi o maior garimpo a céu aberto do mundo, chegou a ter aproximadamente 100 mil garimpeiros no seu auge, hoje se resume a uma pequena vila, um distrito de Curionópolis, o número de moradores gira em torno dos 5 mil, num amontoado de casas de madeira e pouca infraestrutura ofertadas pelo poder público.

O local que já foi cenário de alguns filmes, possui um contraste assustador, do lugar de onde foi tirado toneladas de ouro, sobrou apenas ruínas e muitos sonhos inacabados. Apesar de ainda hoje muitos acreditarem, não há certeza de que um dia serão realizados.

Das várias histórias contadas por personagens reais e que ainda resistem naquele lugar, algumas são bem interessantes. O ouro extraído da cava principal do garimpo, deixou muitas pessoas ricas da noite para o dia, muitos pegaram aquele dinheiro e saíram logo dali, investindo o que ganharam em fazendas, comércios e imóveis.

Deu bom – Uma entre as muitas histórias ouvidas ali, está a do senhor Ilson Mateus, hoje dono de um conglomerado de empresas espalhadas pelo norte e nordeste brasileiro e que fatura milhões nas suas mais de 200 lojas espalhadas pela região. Também há histórias de garimpeiros que depois de “bamburrar” (encontrar muito ouro), reinvestiram tudo no garimpo na certeza de que iriam encontrar mais ouro e nunca mais conseguiram nada. Algumas dessas pessoas ainda resistem ali, com a esperança de conseguir encontrar riqueza novamente.

Deu ruim – O garimpo foi fechado oficialmente em 1.992 pelo governo federal, isso em função do grande perigo que representava aquele lugar, pois era comum os barrancos caírem em cima de garimpeiros, há relatos de várias pessoas que morreram e seus corpos nunca foram encontrados “ainda hoje existem vários pessoas soterradas, elas foram engolidas pela vontade de encontrar ouro e acabaram mortas e seus corpos nunca retirados da lama”, nos conta o guia local, o jovem Lenos Marinho, filho de um ex-garimpeiro de Serra Pelada e que ganha a vida como guia turístico do lugar e faz faculdade de gestão ambiental.

Decepção – No início dos anos 2.000, o sonho de ver novamente o garimpo funcionando voltou com uma nova roupagem. O projeto mineral da Nova Serra Pelada resultava de uma inédita sociedade entre a mineradora Colossus Geologia e Participações, empresa brasileira do grupo canadense Colossus Minerals Inc. e a Cooperativa de ex-garimpeiros de Serra Pelada, a Coomigasp (Cooperativa dos Garimpeiros). Um túnel de aproximadamente 6 km foi perfurado. A mina foi projetada para produzir 1.000 toneladas/dia de minério, beneficiados em uma planta convencional, projetava produzir aproximadamente três toneladas de ouro, além de platina e paládio, por ano, mas nunca chegou a ser concluída e o projeto foi abandonado no final do ano de 2014.

Turismo – Depois da euforia da riqueza e a decepção pela “Nova Serra pelada”, o lugar aparece com potencial para ser um dos mais importantes roteiros turísticos da região, bastando para isso que o poder público e a comunidade despertem para essa inesgotável fonte de riquezas.

Como chegar – Para ir ao nosso destino, que fica a aproximadamente 180 quilômetros de Parauapebas (Parauapebas está a 750 km de Belém), pegamos um micro-ônibus de uma excursão organizada por uma filha de ex-garimpeiro de Serra Pelada, Dayane Silva, que regularmente organiza passeios para o local. O dia estava amanhecendo quando deixamos Parauapebas e seguimos para aquela que seria uma grande aventura.

Na estrada – Por aproximadamente 50 quilômetros, seguimos pela rodovia estadual PA 275, que foi restaurada recentemente e se encontra em excelentes condições de trafegabilidade, até o local denominado de KM 16, que fica entre os municípios de Curionópolis e Eldorado dos Carajás e é a porta de entrada rumo ao nosso destino. Dali, percorremos aproximadamente 30 quilômetros, de uma bem conservada estrada de terra batida, até chegarmos ao entroncamento, de onde se tem acesso as minas do Serra Leste, projeto de extração de minério de ferro da Vale, e a vila de Serra Pelada. Todo o trajeto, desde Parauapebas, durou aproximadamente 1:45h.

Pontos turísticos – Já na vila, um simples, mas delicioso café da manhã, nos esperava no Restaurante Vitória, que fica ao lado da “famosa” árvore conhecida por “pau da mentira”, lugar onde os garimpeiros, no final do dia, costumavam se reunir e contar suas histórias. Uma ex-garimpeira, a dona Margarida, de aproximadamente 80 anos e que se encontrava por ali, ao ser indagada disse que aquele era o “pau da verdade”, que era onde os garimpeiros contavam seus dramas por estarem longe de casa, sem nenhum conforto, vivendo de forma desumana, e a grande maioria, sem conseguir realizar o sonho de “bamburrar”.

A cava principal – Seguimos em frente a fomos visitar a cava de onde se extraia o ouro, a água tomou conta do lugar e formou um bonito lago. Dayane (todos a chamam de Day), uma de nossas guias, nos conta que ali, naquele lago, existia uma montanha de aproximadamente 150 metros de altura, e que a terra, foi toda retirada manualmente pelos garimpeiros, “a terra era retirada e levada em sacos de fibra de aproximadamente 50 kg até o ponto em que seria lavada para a extração do ouro”, diz a nossa guia. A atividade foi tão intensa, que daquela montanha nada sobrou e ainda se cavou um buraco de aproximadamente 200 metros, profundidade em que se encontrava quando a mina foi fechada.

Uma cava manual – Com o intuito de conhecer um pouco mais sobre o modo de vida das pessoas que ainda vivem nesse lugar, fomos até um local onde o sonho de ficar milionário persiste. Encontramos um casebre coberto com palha de palmeira e cercado de madeira, aonde algumas pessoas (cinco ou seis), se associaram para continuar com o sonho e a busca do ouro. Com um perfurador elétrico, pá e picareta eles estão cavando um túnel de aproximadamente dois metros de diâmetro. Um motor elétrico e cordas, leva e traz o garimpeiro até o final do túnel que é iluminado por uma precária instalação elétrica, e de lá retiram o material em baldes plásticos, “cavamos 17 metros para baixo, depois mais dois metro para o lado e mais uma outra descida que já está com mais 20 metros, a expectativa é que, quando chegarmos aos 50 metros encontraremos o ouro”, conta um empolgado garimpeiro.

A Nova Serra Pelada – Ainda fomos conhecer o que sobrou das obras da empresa Colossus, o túnel que hoje se encontra alagado e cheio de morcegos, e de várias edificações que mais parecem cenário de filme de terror, pelas depredações e pelo abandono.

Artesanato – Antes do almoço, ainda tivemos tempo de visitar uma lojinha de artesanato local e comprar um souvenir, e só então seguimos para o restaurante Vitória, de propriedade da dona Maria, uma simpática senhora que recebe a todos com um largo sorriso no rosto, para aí sim, apreciarmos a culinária local, comida simples, mas bem temperada.

A cachoeira – Sabendo que Serra Pelada não é só garimpo, e depois de almoçar, fomos em busca do nosso último objetivo do dia, que era o de conhecer a cachoeira Véu de Noiva. A escolha por se deu pela beleza e pela facilidade de acesso. Na região existem várias outras cachoeiras, porém um pouco mais distantes e de maior dificuldade para acessar.

Véu de noiva – O local fica a aproximadamente de 5 km da vila e é feito por uma estrada de terra que segue ao lado de uma estrada asfaltada, usada exclusivamente por caminhões para o transporte do minério de ferro do projeto Serra Leste até a base de recebimento da Vale próximo a vila Palmares II, estacionamos nosso veículo na beira da estrada e andamos no meio da pastagem de uma fazenda cerca de 500 metros até chegarmos ao nosso destino. A vista é maravilhosa, a água é fria e refrescante e fizeram valer a pena cada momento que tivemos que passar até chegarmos ali. Muitas pessoas já estavam e tantas outras chegaram depois, o que mostra o potencial turístico do lugar.

Infraestrutura – O local não possui nenhuma infraestrutura e quase todos ali estavam com suas caixas térmicas com bebidas e suas churrasqueiras improvisadas. Pudemos observar a falta de cuidados com o meio ambiente, havia lixo espalhados em muitos lugares. Muitas pessoas estavam com suas redes penduradas em árvores e todos ouviam o som ininterrupto da água caindo de mais de trinta metros de altura.

Mágico – Ficar no lago, embaixo da cachoeira de 32 metros e sentir a água caindo no corpo foi um momento único, a força dos pingos na cabeça e na pele, fazia com que o tempo ali embaixo fosse rápido, mas apesar de doer bastante, a sensação era incrível. Ao entardecer já era hora de voltar para casa com a certeza de que fizemos a opção correta, a de não ficar em casa num belo domingo de sol.

Saiba mais – A todos que quiserem saber mais sobre esta experiência, ou uma outra, entre vários destinos que temos na região, recomendo entrar em contato com uma das agências que fazem esses passeios, posso recomendar a Tometur Turismo com o telefone (94) 98400-0001, que vende passagens e organiza excursões regionais e para o Brasil inteiro. O nosso passeio, para Serra Leste foi organizado e acompanhado pela Day e o telefone dela é 94 98428-3075.

Aqui um vídeo sobre nossa aventura: https://youtu.be/ppcAWEF_nwM

Aqui imagens da viagem:https://drive.google.com/folderview?id=1h8zOK5qdjk_7nw7g5gD11fCwOO_KNYMw

Quanto custa – Em tempo, o passeio custou R$ 90,00 por pessoa, incluso ida e volta mais o guia; o café da manhã R$ 10,00; Almoço R$ 25,00; e o lanche da tarde R$ 10,00; um gasto total de R$ 135,00 por pessoa, na média é isso que um turista vai gastar. Para os que quiserem visitar o local de carro próprio também é possível, basta ter um pouquinho de senso aventureiro e colocar o pé na estrada.

Por: Rosangela Sampaio

Fotos da viagem: kleberphotography

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