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Pará é palco de discussões sobre o futuro da pecuária na Amazônia; estado com segundo maior rebanho bovino do Brasil

O evento ‘Diálogos Boi na Linha’ tem como objetivo debater temas como transição econômica, metas globais de redução de impactos ambientais, segurança jurídica e reinserção de produtores no mercado de carne e como superar esses desafios

A pecuária no Brasil está passando por um novo ciclo de transformações, que tem exigido de produtores rurais um alto grau de adaptação. Há alterações econômicas e cobranças de integração às agendas socioambientais globais, sobretudo com o Brasil sendo palco da COP 30, em 2025, que será em Belém do Pará. Produzir carne de qualidade com tantas responsabilidades, na Amazônia, será um dos objetivo da 1ª edição do Diálogos Boi na Linha, que será promovido pelo Imaflora, no dia 16 de novembro, em Marabá.

Voltado à promoção da legalidade e da responsabilidade socioambiental na pecuária, o evento tem como principal objetivo debater os desafios e demandas da cadeia da carne e do couro bovinos na Amazônia Legal, colocando em pauta questões como rastreabilidade, monitoramento de indiretos, reintegração de produtores e práticas pecuárias que buscam mitigar danos socioambientais. O evento será no no Carajás Centro de Convenções de Marabá.

“Escolhemos o Pará como sede dessa primeira edição para que a cadeia pecuária nacional possa conhecer o trabalho que vem sendo desenvolvido na região, conciliando produção bovina, legalidade, conservação da floresta e respeito aos direitos dos trabalhadores do setor, além de debater como suas práticas podem ser multiplicadas em outras áreas da Amazônia Legal”, explica Lisandro Inakake, gerente de Projetos do Imaflora e à frente do programa Boi na Linha.

O estado ocupa o segundo lugar no ranking de maior rebanho bovino do País com 26.754.388 animais, de acordo com dados da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), perdendo apenas para o Mato Grosso. O município com maior rebanho do Brasil está no estado, que é São Félix do Xingu, que já foi palco de várias ações contra o desmatamento e enfrenta agora uma operação de desintrusão da Extensão Apyterewa, demarcada como terra indígena do povo Parakanã.

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“O evento pretende abrir o debate sobre o que o Pará tem feito para promover a legalidade e a responsabilidade socioambiental no estado, buscando entender como a pecuária paraense pode inspirar a Amazônia Legal e como a legalidade e a responsabilidade socioambiental podem ajudar, inclusive, a vender mais”, reforça Inakake.

Em maio, a agropecuária formal gerou 10% mais empregos em comparação com o mesmo período do ano passado (Foto: Bruno Cecim / Agência Pará)

Pará tem os olhos voltados para si e precisa ser protagonista das soluções, diz presidente da Acripará

Para o Presidente da Associação dos Criadores do Pará (Acripará), Maurício Fraga, que estará no evento, o estado é diferente do Mato Grosso, pois está todo inserido na Amazônia Legal e tem um passivo ambiental muito grande. Por isso, é natural que tenha os olhos do mundo voltados em sua direção.

“Fomos pioneiros na assinatura do Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne, por exemplo. Entendemos que é importante que o Pará esteja no centro das discussões sobre monitoramento e regularização da cadeia da carne de forma protagonista. Minha expectativa é de que esse evento apresente para os produtores a demanda internacional por carne vinda de uma cadeia limpa ambiental e socialmente. A participação dos produtores nesse debate é fundamental para que possam entender o que o mercado deseja e que passem a participar ativamente da criação de soluções viáveis para a produção de carne, que atendam às expectativas do mercado consumidor”, ressalta Fraga.

Uma das propostas do evento é reunir representantes não só na cadeia produtiva da carne, mas também do ambiente regulatório em que está inserida para analisar e discutir ações e projetos que possam auxiliar no desenvolvimento de uma pecuária ainda mais responsável e consciente.

“Estamos todos cientes dos desafios que temos para alcançar uma pecuária verdadeiramente sustentável e desvinculada da ilegalidade na Amazônia. Assim como estamos cientes de que ninguém consegue isoladamente enfrentar esses desafios. Entendemos que é preciso trabalhar em conjunto para promover paisagens sustentáveis, com uma produção eficiente e regularizada no entorno do parque industrial instalado na Amazônia, enquanto atuamos para combater a ilegalidade e aprimorar os processos de controle, transparência e rastreabilidade. Para isso, precisamos unir esforços públicos, privados e da sociedade civil”, enfatiza Fernando Sampaio, diretor de Sustentabilidade na Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), que está confirmado para a 1ª edição do Diálogos Boi na Linha.

Lisandro Inakake, Gerente de Projetos do Imaflora e que está à frente do evento Diálogos Boi na Linha (Foto: Imaflora / Divulgação)

Rastreabilidade, reinserção no mercado e regularização fundiária são maiores desafios, aponta Imaflora

Na avaliação de Lisandro Inakake, Gerente de Projetos do Imaflora, as principais discussões do evento serão em torno dos temas rastreabilidade e reinserção de produtores ao mercado da carne. A regularização fundiária, diz ele, também é um tema urgente e base para a solução de problemas que criam um ambiente de insegurança jurídica. Sem essas condições, mercados que possuem restrições, como atender a legislação nacional, se tornam mais difíceis de acessar para a comercialização de carne, couro e outros produtos.

“São temas que estão em evidência, seja por iniciativas que almejam apresentar uma pecuária mais moderna e alinhada a demandas de mercado ou por metas apresentadas recentemente pelo Governo do Pará em reduzir as emissões de gases do efeito estufa (GEE) associadas ao setor produtivo até 2030. De qualquer forma, é uma oportunidade de intensificarmos o diálogo construtivo que eleva a qualidade e desempenho da pecuária da região e dê luz a um setor que já possui bons resultados, adota tecnologia e assume seu papel na agenda global”, pondera Lisandro.

A pecuária é parte dos arranjos produtivos na Amazônia, como destaca Lisando, já que ocupa importante área onde a floresta foi desmatada e tem que estar na equação da transição produtiva de baixo carbono. “Para isto, faz-se necessário a adoção de sistemas produtivos baseados na intensificação, moderada em algumas regiões, mais intensivas em outras, com tecnologia adaptada às necessidades regionais, pautadas em processos regenerativos, que promovam as boas práticas de produção e a restauração da vegetação nativa”, conclui.

Fonte: Fato Regional, com informações da Imaflora

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